E minha avó cantava e cozia. 
Cantava canções de mar e de arvoredo, em língua antiga. 
E eu sempre acreditei que havia musica em seus dedos
e palavras de amor em minhas roupas escritas

Cecília Meireles

Escolhi como título desta exposição um verso do poema Desenho, de Cecília Meireles, porque define o que sinto quando vejo alguém cosendo ou bordando, ou mesmo quando vejo bordados. Para mim, não poderia haver título melhor para esta exposição, ao lado de A Casa Bordada.

Comecei meu percurso de artista, pintando e desenhando, e somente depois de alguns anos descobri o bordado, ao visitar um projeto arte-terapêutico, em que mulheres se reuniam para bordar e contar suas histórias. Foi então, ao me deparar com uma linha alinhavada em um tecido, que intui o potencial expressivo dessa linguagem.

Em 2014, levei linhas, tecidos e a caixa de costura da minha avó para o ateliê, e passei a explorar esse universo. 

Nesta exposição, apresento bordados feitos a partir da contemplação da natureza. Comecei os trabalhos no local em que estão os elementos naturais retratados e, no ateliê, a fotografia, a recordação e a imaginação me incitaram a elaborar o restante. 

Cristina Mohallen – Artista