A CASA museu do objeto brasileiro exibiu de 13 de agosto a 18 de outubro a exposição “Cerâmicas do Brasil – Edição 2015”. A mostra juntou em pé de igualdade criações de indígenas, artistas e designers populares e artistas e designers eruditos. Sua característica central é a transversalidade, por lidar sem distinção com esses universos muitas vezes vistos de maneira estanque. “Além de misturar as autorias, a exposição também questiona os limites em geral muito rígidos entre artesanato, design e arte”, explica a curadora Adélia Borges. 

Houve um corte preciso no tempo – século 21 –, mas aberto às várias vertentes do trabalho com esse material, que está presente na cultura brasileira desde os povos originários. Não houve a intenção de ranking dos melhores ceramistas, mas de pinçar alguns trabalhos de alta qualidade da cerâmica desenvolvida hoje no Brasil. 

Da cerâmica indígena foram selecionados os Paiter – Suruí, de Rondônia, e os Wauja/ Mehinako, do Parque Nacional do Xingu, Mato Grosso, os últimos presentes com obras de Yamony Mehinako e Uleyalu Mehinako. Entre os populares, as paneleiras de Goiabeiras, de Vitória, Espírito Santo, e Irinéia Rosa Nunes da Silva, de União dos Palmares, Alagoas. Sara Carone, de São Paulo; Inês Antonini, de Minas Gerais, Heloísa Galvão, nascida no Espírito Santo e radicada em São Paulo; e Brunno Jahara, do Rio de Janeiro, completam a seleção.

“Foi muito difícil fazer a escolha, porque tem muita gente boa se dedicando a esse material hoje em nosso país. Resolvi deixar de lado alguns nomes de que gosto muito mas que já vem recebendo exposições individuais recentes em São Paulo. Eu também quis privilegiar uma apreensão melhor da atuação de cada escolhido, apresentando um pequeno conjunto de trabalhos por autor, seja um indivíduo ou um grupo”, diz Adélia.

Frente à riqueza e diversidade da produção cerâmica brasileira, Renata Mellão, diretora da A CASA, pretende tornar a exposição um programa fixo da instituição, com edições a cada dois ou três anos. “Mapear e selecionar a cerâmica brasileira é um desafio complexo. Portanto, acredito que serão necessárias outras exposições para tentar abranger toda a diversidade existente, o que só é possível fazer com uma curadoria apurada como esta”, afirma.

A mostra contou com uma sala de vídeos com a apresentação de documentários sobre artistas participantes e uma sala de leitura com catálogos e livros que permitam entender melhor a produção de cada autor. O design expositivo foi assinado pelo arquiteto Pedro Mendes da Rocha.