Um nome unânime em consultoria de projetos em design e artesanato é o de Renato Imbroisi. Designer e tecelão autodidata, além de seu trabalho autoral, teve uma trajetória de ação junto a grupos de artesãos pautada por dar protagonismo e autonomia às comunidades. Em cerca de 25 anos de carreira, já coordenou cerca de 140 projetos de desenvolvimento de artesanato em 23 estados do Brasil, além de trabalhos no exterior, em Moçambique e São Tomé e Príncipe, Itália e Japão.

Entre 1 de setembro e 18 de novembro de 2011, aconteceu a exposição Desenho em Fibra, com dezenas de peças desenvolvidas em projetos coordenados por Imbroisi nas cinco regiões do país, a partir da associação entre elementos de design e as diversas variantes do artesanato têxtil: crochê, bordado, rendas e cestaria. 

Entre os projetos que integram a mostra estão Capim Dourado, do Jalapão – Tocantins; Muquém, de Minas Gerais; Bichos do Mar de Dentro, do Rio Grande do Sul; Flor do Cerrado, do Distrito Federal; e Paraíba em Suas Mãos, da Paraíba, que congregam desde associações de artesãos e pequenas empresas a grupos de produção independentes, sem formalização.

A exposição foi concebida a partir do livro Desenho de fibra: artesanato têxtil no Brasil (editora Senac), escrito por Renato Imbroisi e Maria Emilia Kubrusly. O livro traça uma trajetória do designer, apresenta sua metodologia de trabalho e traz ainda informações conceituais e históricas sobre o artesanato, em especial o têxtil, e sua aliança com o design.

A curadoria para a exposição se pautou pela longevidade dos projetos, possível a partir da junção bem sucedida entre design e artesanato. “Dentre os diversos projetos dos quais já participei, selecionamos alguns que tiveram importância em continuidade, que permanecem até hoje. Muquém, em Minas Gerais, por exemplo, existe há 25 anos. Outros há 10, 15 anos. Em todos eles, houve o aprendizado do desenvolvimento do produto, e os artesãos exercitam isso até hoje com algumas pequenas modificações. O que mostro na exposição é justamente qual foi a essência maior de desenvolvimento de produtos”, explica Renato.

Renato conta que voltou a algumas regiões depois de alguns anos da realização de seu trabalho junto aos artesãos e viu que o que tinha feito permanecia vivo em termos de comercialização, distribuição e, principalmente, no aprendizado sobre o produto. Alguns exemplos que podem ser citados são os do Tocantins, Amazonas e Paraíba. “No Tocantins, onde trabalhei entre o final dos anos 90 até 2000, o carro-chefe de venda dos artesãos até hoje são as mandalas e bolsas redondas que desenvolvemos naquela época. No Amazonas, onde estive há 8 anos e retornei agora, permanecem até hoje os colares e cestas de tucum. No projeto Memória da Paraíba, em 2001, desenvolvemos alguns xales diminuindo excessos de renda, e as artesãs aprenderam o conceito, interpretaram e hoje produzem desenhos similares”, comenta.